As Conversas Secretas de Mr. President

1 12 2009

Mr. President no salão oval

Lyndon Johnson negou saber da existência do auxílio americano aos Militares Brasileiros na época do Golpe de 64, mas deu a autorização presidencial para a Operação Brother Sam.

O Governo dos Estados Unidos negou a existência da Operação Brother Sam até a publicação dos documentos oficiais que provavam a sua existência. Alguns trechos de conversas do Presidente Lyndon Johnson com seus assessores no Brasil denunciam que ele e a alta cúpula do governo tinham total conhecimento da situação instável do país naquela época e que achavam necessária a intervenção militar.

A seguir, a transcrição de uma dessas conversas secretas, nela o presidente estadunidense Lyndon Johnson recebe do Subsecretário de Estado, George Brown, as orientações sobre a situação no Brasil. O presidente dá aval ao subsecretário para agir, caso houvesse reação pró-Goulart.

São citados Lyndon Johnson (Embaixador) e Robert McNamara (Secretário de Defesa dos Estados Unidos 1961-1968).

Lyndon Johnson ainda declara: “fazer o possível como faríamos no Panamá”. O presidente se  refere à situação ‘Estados Unidos x Panamá’  que haviam cortado relações diplomáticas.

Transcrição

(dia 31 de março de 1964)

Lyndon Johnson: Alô?

George Brown: Senhor Presidente, aqui é George Ball, vou lhe dar um resumo da situação do Brasil. Nós tivemos uma reunião hoje de manhã com (…) e decidimos, com base na informação que tínhamos de manhã, ir adiante e mandar uma força-tarefa naval para o sul, mas sem compromisso. Vai [a força-tarefa] navegar para o sul, mas não chegará à região antes de 10 de abril. Enquanto isso, podemos monitorar a situação para ver se continuamos ou não. Mas foi feito de uma maneira que não cria nenhuma comoção pública. A segunda coisa é que localizamos alguns navios petroleiros da marinha em Aruba e a próxima coisa que eles vão precisar se tiverem uma rebelião bem sucedida será gasolina para veículos e aviação. Os petroleiros serão carregados, mas não chegarão antes de 8 a 13 de abril. Terceiro, estão preparando uma remessa de munição, mas vai ter que esperar. Essa [munição] tem que ir de avião, o que só poderá ser feito depois que nós nos comprometermos claramente com a situação. O que está acontecendo exatamente em campo é muito confuso. Tivemos uma conversa com Lincon Gordon no Rio [de Janeiro]. Está claro que um estado ao norte do Rio, chamado Minas Gerais, está em rebelião e ambos o exército e as autoridades civis parecem agir juntos. Aparentemente as estradas de ligação com o Rio foram bloqueadas e, assim, o primeiro exército no Rio não pode ser movido ao norte para sufocar a rebelião. Estamos esperando para verificar a situação em São Paulo, o qual é a chave para a questão. Aparentemente não houve movimentação em São Paulo, mas isso é esperado a qualquer momento e saberemos nas próximas horas o que o segundo exército vai fazer, possivelmente irá bloquear as estradas e isolar o Rio. Enquanto isso eles rascunharam um impeachment do [João] Goulart, não houve reação ainda, mas eles fizeram a lista das violações da Constituição que alegam e há muita conversa sobre o que poderá ser feito para se formar um governo civil que tenha legitimidade. Os governos anti-Goulart, aparentemente, vão se reunir na quarta-feira. E, baseado na informação que Gordon recebeu, há um grupo de governadores preparado para se mexer contra o Goulart – nove ao todo, o que é um número importante.

Lyndon Johnson: Quantos [governadores] o Brasil tem?

George Brown: O número de estados é cerca de dezenove… vinte um. Temos os [estados] grandes, os importantes. Instruímos Gordon a não ter mais contatos com civis até sabermos como se desenvolve a situação. Tem que haver mais movimento em São Paulo, para que isso ande. Gordon acha que devemos esperar doze horas, ou até amanhã antes de tomáramos outra decisão. (…) Talvez tenhamos outro encontro com McNamara hoje à tarde.

Lyndon Johnson: Temos de dar todos os passos e estar preparado para fazer o possível como faríamos no Panamá – desde que viável.

George Brown: Certo.

Lyndon Johnson: Coloque todos os que tiverem imaginação e criatividade para trabalhar com Gordon, McNamara (…). Essas pessoa não podem aceitar, vamos ficar em cima.

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Fontes: Retirado da Biblioteca Lyndon Johnson e disponível no site http://www.gwu.edu/~nsarchiv/NSAEBB/NSAEBB118/index.htm

GASPARI, Elio. A Ditadura Envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002

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